Vereador aponta padrão de abusos, distorções, linchamento digital e uso político da causa animal em Joinville
A divulgação distorcida de um vídeo envolvendo um adolescente de 15 anos acendeu um alerta na Câmara de Joinville e motivou o vereador Wilian Tonezi (PL) a protocolar o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação do Instituto FRADA e da vereadora Liliane da Frada.
Segundo o parlamentar, os episódios recentes e os processos já analisados pela Justiça indicam um padrão de abusos, denúncias sem prova, sensacionalismo digital, pedidos de PIX em situações de comoção e exposição indevida de cidadãos, incluindo menores de idade.
Exposição de menor reacende debate sobre responsabilidade nas redes
O caso mais recente ocorreu quando um adolescente encontrou um cachorro solto em via pública, quase sendo atropelado. Ele retornou, fez carinho no animal e o amarrou no portão de um pet shop para evitar que fosse ferido.
A gravação, que mostra claramente uma tentativa de proteger o animal, foi divulgada pelo Instituto FRADA como se fosse abandono criminoso. O rosto do menor, que deveria ter sido preservado, foi exposto para mais de 150 mil seguidores, desencadeando um linchamento digital, com xingamentos e constrangimento na escola e na vizinhança.
A Justiça analisou o caso e concluiu, em decisão liminar, que o vídeo não evidencia abandono, mas ato de proteção. A decisão determinou a retirada imediata da publicação por violação da dignidade do adolescente.
“Um menino de 15 anos tentou ajudar um cachorro e foi tratado como criminoso na internet. Isso é cruel e destrói famílias”, afirma Tonezi.

Padrão de abusos: casos anteriores reforçam necessidade de investigação
Para o vereador, o episódio do adolescente não é isolado. Há registros formais, decisões judiciais e relatos de vítimas que apontam repetição de condutas abusivas atribuídas ao Instituto FRADA.
1. Veterinária inocentada em 1ª e 2ª instância após acusação da FRADA
Um dos casos mais emblemáticos envolve uma médica veterinária que cuidava de animais abandonados em Joinville. Ela e o marido foram acusados de maus-tratos após uma ação da FRADA que incluiu gravações, transmissões ao vivo e pedidos de PIX.
Entretanto, a investigação judicial apurou que:
- os animais estavam sendo tratados e medicados;
- fiscais da SAMA não encontraram maus-tratos;
- a acusação se baseava em documento de profissional ligada à própria FRADA;
- a Procuradoria de Justiça reconheceu ausência de provas.
A veterinária teve:
- ataques online e exposição do endereço,
- perda da empresa,
- destruição da reputação,
- graves danos emocionais e duas tentativas de suicídio,
- impacto psicológico sobre a filha pequena.
O caso resultou em absolvição em primeira instância, mantida em segunda instância, consolidando que não houve crime.
2. Produtor rural da Estrada da Ilha: gado apreendido e mortes registradas
Outro relato envolve um produtor de idade avançada que teve seu gado apreendido após denúncia da FRADA. Parte dos animais morreu após a apreensão, e há relatos de interferência indevida e pressão sobre servidores sem a apresentação de laudo técnico que justificasse a medida extrema.
3. Empresário acusado falsamente: Justiça condena vereadora e Instituto
Em decisão recente da comarca de Joinville, a Justiça condenou a vereadora e o Instituto FRADA por divulgar informações falsas sobre um empresário local. O conteúdo gerou ataques e danos morais.
A sentença determinou:
- retratação pública,
- indenização financeira,
- exclusão definitiva das publicações.
4. Caso de Camboriú: o alerta que assombra Santa Catarina
Tonezi lembra ainda o caso de Leonardo Garcia, de 24 anos, que cometeu suicídio em 2025 após ser falsamente acusado de abandono animal por uma ONG. Mesmo avisada do erro, a entidade não retirou a publicação, intensificando o linchamento virtual.
“A irresponsabilidade desse tipo já matou um jovem em Santa Catarina. Não vamos esperar uma tragédia em Joinville para agir”, afirma.
O que a CPI vai investigar
A CPI proposta tem sete eixos de apuração:
- publicações com informações falsas ou manipuladas;
- exposição ilegal de menores de idade;
- denúncias infundadas enviadas a órgãos públicos;
- arrecadação de recursos via PIX e destino dos valores;
- interferência irregular em ações de fiscalização;
- utilização política da causa animal;
- práticas de linchamento digital contra munícipes.
“A causa animal é nobre, mas não pode ser usada para humilhar adolescentes, destruir famílias e pedir PIX”, diz Tonezi.
Próximos passos
A CPI será instaurada se o pedido obtiver sete assinaturas na Câmara.
Caso aprovada, os vereadores poderão:
- convocar testemunhas,
- requisitar documentos,
- realizar diligências,
- encaminhar o relatório final ao Ministério Público, Tribunal de Contas e outras autoridades.
Conclusão
Tonezi afirma que a investigação é necessária para proteger cidadãos inocentes e resgatar a seriedade da causa animal:
“Joinville não pode ser refém de sensacionalismo e abuso moral. Vou até o fim para garantir responsabilidade e respeito.”




