A cidade de Joinville, que nunca havia registrado mortes por dengue até 2021, está vivendo uma das maiores crises de saúde pública de sua história.
O número de óbitos em 2024 já chega a 83, um aumento expressivo em comparação aos 39 registrados em 2023. Além disso, o total de casos confirmados da doença ultrapassa a marca de 81 mil, segundo o boletim mais recente do Ministério da Saúde.
Aumento Preocupante e Falta de Ação
Desde 2021, o cenário da dengue em Joinville tem se agravado de forma alarmante.
Em 2023, o município já havia se tornado a cidade com o maior número de mortes por dengue no Brasil, superando todas as expectativas negativas. Agora, com o aumento exponencial de casos em 2024, tudo indica que em 2025 enfrentaremos uma situação ainda pior, com projeções de que o número de óbitos possa dobrar.
“Essa é a maior negligência em saúde pública que estamos assistindo nos últimos anos em Joinville. Em um curto período, vimos o número de casos e mortes disparar, e a resposta da administração municipal tem sido insuficiente”, afirma o vereador Wilian Tonezi, crítico ferrenho da atual gestão.
Falta de Planejamento e Ações Ineficazes
O método mais divulgado pela prefeitura para combater a dengue em 2024 foi o uso de mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, que impede a transmissão dos vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. A previsão é de que até o final de 2025, aproximadamente 3,6 milhões de mosquitos sejam liberados nas ruas da cidade.
Contudo, especialistas e críticos apontam que a estratégia isolada não será suficiente para conter a epidemia.
“Muito se fala sobre o método Wolbachia como a solução definitiva para o problema, mas basta olhar para outras cidades que implementaram essa técnica. Em alguns locais do interior de São Paulo, onde o método está em uso desde 2016, o número de mortes por dengue aumentou drasticamente. Isso mostra que apenas liberar esses mosquitos não resolve”, alerta Tonezi.
Inércia e Falta de Transparência
A situação em Joinville se agrava pela falta de ações coordenadas e efetivas. Segundo o vereador, a administração municipal não tem apresentado um plano robusto de combate à dengue.
“Desde o começo do ano, venho cobrando a prefeitura por medidas concretas e imediatas. Em vez disso, estamos vendo uma cidade que bate recordes nacionais em mortes e casos de dengue, mas que continua sem ações efetivas de combate”, enfatiza Tonezi.
Além da liberação dos mosquitos, outras medidas de prevenção, como mutirões de limpeza, campanhas de conscientização e fiscalização em áreas de risco, não foram realizadas de forma ampla e consistente.
“Faltam ações de impacto real, e a prefeitura parece estar mais preocupada em ganhar prêmios do que em resolver o problema da dengue que está matando nossos cidadãos”, desabafa Tonezi.
O Que Esperar para 2025?
Com a chegada do verão, período de maior incidência da doença, e a previsão de aumento nos casos de dengue, a preocupação da população e dos especialistas cresce. Para Wilian Tonezi, a falta de planejamento e de medidas efetivas pode levar Joinville a uma catástrofe ainda maior no próximo ano.
“Se nada for feito urgentemente, podemos facilmente ultrapassar os 200 óbitos em 2025. Precisamos de ações imediatas, campanhas de conscientização e um plano eficaz de combate ao mosquito. A cidade não pode continuar à mercê da incompetência e da falta de preparo da atual administração”, conclui.
Exigência de Respostas
Tonezi já anunciou que continuará cobrando ações imediatas e pretende propor uma audiência pública para discutir o plano de combate à dengue em Joinville.
“A população merece respostas e merece saber o que está sendo feito para evitar que padeçamos novamente como aconteceu este ano. Precisamos de soluções reais, não de promessas vazias”, afirmou o vereador.
Com a falta de um plano claro e o aumento dos números alarmantes de casos e mortes, Joinville se vê diante de um desafio gigantesco.
A pergunta que fica é: o que a prefeitura vai fazer para evitar que 2025 seja ainda pior?




