O Carnaval, muitas vezes considerado uma festividade inofensiva e popular, lícita e permitida como divertimento, tem levado muitos católicos ao engano por desconsiderar os elementos de conflito direto com a doutrina católica. Embora seja apresentado como uma celebração cultural e de entretenimento, suas origens bem como as práticas contemporâneas revelam ligações evidentes com cultos pagãos, que, do ponto de vista católico, possuem elementos incompatíveis com a fé cristã.
Recentemente, um vídeo que tem circulado nas redes sociais revelou nas palavras do carnavalesco Milton Cunha o vínculo indissociável entre o Carnaval e o Batuque, culto pagão. “Escola de Samba é macumba, gostem ou não”, disse no vídeo que viralizou e tem oportunizado o alerta aos católicos sobre uma ligação que em outras épocas esteve sempre mais discreta. O assunto, como bem sinaliza o trecho da entrevista com Cunha, surge diante do aumento do tema da “macumba” nas escolas de samba, o que coincide com ataques diretos a símbolos da fé católica num crescente clima de provocação.
Ao longo do tempo, os católicos acostumaram-se com o ambiente de sincretismo e mistura de elementos opostos, criando um clima de tolerância religiosa que, no entanto, ofende a própria fé católica. Levados a erro, muitos católicos veem o Carnaval como inofensivo do ponto de vista espiritual. No entanto, o crescimento dos ataques à fé caminha junto de uma alegação de “intolerância religiosa”.
É sabido que, em nome da liberdade religiosa, é cada vez maior o número de blasfêmias e ofensas à fé cristã em festividades e entretenimentos, o que não poderia ser diferente no Carnaval. Nos últimos anos, encenações ofensivas e blasfêmias foram feitas publicamente, o que para o católico demanda necessidade de reparação. Podemos imaginar as consequências de ataques semelhantes, por exemplo, à religião islâmica. Quando se trata da fé católica, porém, os ataques gozam de grande tolerância social.
O padre José Eduardo de Oliveira e Silva, em sua conta no Instagram, exortou os católicos e chamou a atenção para a ligação pagã da festa que ocorre antes da Quaresma, revelada pelo vídeo viral do carnavalesco num momento em que o Carnaval já se consagrou numa festa anticatólica, dadas as ofensas e hostilidades assumidas.
“A feitiçaria tirou as máscaras. Aquela tentativa de isentar o carnaval da sua dimensão religiosa, por fim, revelou-se apenas uma tática momentânea que deu lugar à indicação da simples realidade: não há como separar o evento da sua natureza religiosa. A pergunta é: por que só agora?”, escreveu o sacerdote em sua rede social.
O que disseram os santos
Não é de hoje que o Carnaval possui ligação com pecados e ofensas à fé católica. No passado, muitos foram os santos que expressaram a sua preocupação com essa época de pecado e afastamento de Deus.
Escreveu a santa mística polonesa Santa Faustina Kowalska: “Nestes dois últimos dias de carnaval, conheci um grande acúmulo de castigos e pecados. O Senhor deu-me a conhecer num instante os pecados do mundo inteiro cometidos nestes dias. Desfaleci de terror e, apesar de conhecer toda a profundeza da misericórdia divina, admirei-me que Deus permita que a humanidade exista.”
Além dela, São Vicente Ferrer, alertava:”O carnaval é um tempo infelicíssimo, no qual os cristãos cometem pecados sobre pecados e correm à rédea solta para a perdição.”
A francesa Santa Margarida Maria Alacoque, grande divulgadora da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, dizia “Numa outra vez, no tempo de carnaval, apresentou-me, após a santa comunhão, sob a forma de Ecce Homo, carregando a cruz, todo coberto de chagas e ferimentos. O Sangue adorável corria de toda parte, dizendo com voz dolorosamente triste: ‘Não haverá ninguém que tenha piedade de mim e queira compadecer-se e tomar parte na minha dor no lastimoso estado em que me põem os pecadores, sobretudo agora?'”
São Francisco de Sales referia-se ao Carnaval como “tempo de minhas dores e aflições”. Durante esse período, ele realizava retiros espirituais para reparar as desordens e comportamentos licenciosos de muitos cristãos.
A grande doutora da Igreja, Santa Catarina de Sena, ao referir-se ao Carnaval, exclamava entre soluços: “Oh! Que tempo diabólico!”
Festa inofensiva?
Diante desse cenário, é claro que o Carnaval não é uma festa inofensiva para os católicos. Participar ou mesmo tolerar tais celebrações pode representar uma conivência com princípios que desvirtuam a doutrina cristã. Em vez disso, tem sido cada vez mais comum os retiros de Carnaval, onde católicos aproveitam o feriado para aprofundar na fé e na oração, oportunidade também para a necessária reparação dos ultrajes e ofensas praticadas nessas festividades, onde tem sido cada vez mais comum a alegoria e até mesmo culto aberto do demônio ou blasfêmias contra símbolos católicos.




