Muitas gerações recordam com carinho o período escolar em que alunos, perfilados diante da bandeira nacional, cantavam o Hino Nacional antes do início das aulas. Esse ato não era apenas uma rotina cívica, mas um momento valioso de união, respeito e valorização do país, acima das diferenças pessoais, partidárias e ideológicas.
História e Importância da Prática
A execução regular do Hino Nacional nas escolas brasileiras tem uma história de altos e baixos. Instituída oficialmente pelo Decreto-Lei nº 869, em 1938, durante o governo de Getúlio Vargas, foi fortalecida pela Lei nº 5.700, de 1971, que exigia sua execução pelo menos uma vez por semana. Durante os governos militares (1964–1985), a prática ganhou ainda mais destaque como forma de resistência às ameaças ideológicas internacionais promovidas pelo comunismo soviético, que difundia a ideia do internacionalismo e da luta de classes.
Nesse contexto, cantar o Hino era mais do que um gesto formal; era um exercício de solidariedade nacional contra as forças que desejavam fragmentar a identidade brasileira por meio de conflitos internos estimulados pela ideologia marxista.
Por que abandonaram o Hino nas escolas?
Com o fim da Guerra Fria e a mudança na estratégia revolucionária global, o comunismo clássico se adaptou e passou a ser difundido por meio da cultura, da educação e das mídias, em um esforço por construir uma Nova Ordem Mundial baseada no socialismo cultural e identitário. Essa mudança estratégica fez com que expressões patrióticas, como o respeito aos símbolos nacionais, fossem gradativamente associadas negativamente a ideologias extremistas.
Apesar da legislação nunca ter sido revogada formalmente, escolas começaram a abandonar a execução regular do Hino Nacional, influenciadas por pedagogias que valorizavam a globalização e desprezavam as tradições nacionais.
Uma Ideologia do Conflito
A razão para o afastamento das esquerdas dos símbolos nacionais, como explica o filósofo Olavo de Carvalho, é bastante clara: o nacionalismo é um obstáculo à tese marxista da luta de classes. Desde a Primeira Guerra Mundial, quando trabalhadores e patrões lutaram lado a lado em defesa de seus países, o marxismo percebeu que precisava enfraquecer o vínculo nacional para fortalecer a solidariedade internacional de classe. Ao invés de ajustar suas ideias à realidade, os revolucionários decidiram modificar a realidade para encaixar suas ideias.
Este objetivo levou a esquerda a promover divisões artificiais na sociedade, como aquelas baseadas em raça, gênero, meio ambiente e sexualidade, buscando criar conflitos internos que legitimassem sua narrativa revolucionária. Em suma, qualquer elemento que una as pessoas—família, religião ou patriotismo—é tratado como adversário por aqueles que desejam fragmentar a sociedade para dominá-la.
Por que trazer de volta o Hino Nacional?
O projeto de lei que propõe o retorno da execução regular do Hino Nacional nas escolas busca resgatar o respeito e a valorização da Pátria e seus símbolos, restaurando o senso de união nacional entre as novas gerações. Longe de ser uma prática retrógrada, cantar o Hino Nacional é uma forma de educar crianças e jovens no respeito às tradições, no amor ao país e no senso de responsabilidade social.
Defender a execução do Hino é proteger o Brasil das forças que tentam dividi-lo, restaurando valores que são essenciais para uma sociedade sadia, forte e consciente da importância da liberdade, da soberania e do civismo.
Em um tempo marcado pela polarização e fragmentação social, ensinar o respeito aos símbolos nacionais pode ser um passo essencial para reconstruir uma sociedade mais unida, segura e consciente de sua história e valores.
Embora os governos militares tenham combatido com eficácia as guerrilhas e o comunismo clássico naquela época, deixou que os marxistas se organizassem no ambiente editorial e das universidades, entregando-os todo o sistema de ensino e a cultura do país. Rapidamente, todo tipo de expressão patriótica ou nacionalista passava a ser associado ao fascismo ou nazismo, uma estratégia usada por comunistas desde o rompimento da aliança entre Stalin e Hitler.
Assim, a partir dos anos 1990 começaram a surgir novas propostas pedagógicas que combinavam o saudosismo comunista soviético com os novos métodos globalistas de homogeneização do pensamento em um ideal de socialismo global que tolerava certas liberdades como método de avançar suas agendas. Foi neste período que a execução regular do Hino Nacional passou a ser gradualmente abandonada em muitas escolas, embora a exigência legal jamais tenha sido revogada.
Uma ideologia do conflito
A principal razão para a má vontade das esquerdas em relação aos símbolos nacionais é a crença na necessidade de comprovar a luta de classes. A primeira crise do comunismo mostrou bem esse problema: quando Marx disse “proletários do mundo, uni-vos”, todos os marxistas acreditavam que essa união era possível. Mas a Primeira Guerra Mundial mostrou que isso era uma ilusão, quando proletários e patrões se uniram nas mesmas trincheiras em defesa de seus países. Isso mostrou que o nacionalismo era um obstáculo e a solidariedade nacional precisava ser substituída gradualmente até ser convertida na solidariedade de classes pregada por Marx. Afinal, quando a ideologia não encontra eco na realidade, os marxistas optaram por mudar a realidade ao invés da ideologia, explicava o professor Olavo de Carvalho, maior entendedor da mentalidade revolucionária do nosso tempo.
Não foram poucos os intelectuais e guias da esquerda que buscaram inculcar na sociedade o desapego às suas nações para enfileira-los em bandeiras artificialmente criadas, como o feminismo, racialismo, o pacifismo, o ambientalismo e, mais atualmente, o identitarismo de gênero. Todas essas formas de divisões sociais que hoje formam a chamada “polarização política” foram impulsionadas por políticas de esquerda (com a valiosa colaboração de liberais e neoliberais) para fazer valer um ideal hegemônico, um pensamento único cuja principal tarefa é dividir para conquistar.
Brancos contra negros, mulheres contra homens. Toda forma de divisão é válida, aos marxistas, para simular a sua tese da luta de classes. Assim, todas as maneiras de unir as pessoas, como a família, a religião e as nações, são evidentes obstáculos à crença revolucionária na necessidade de dividir e destruir.




